LGPD na prática: quais dados pessoais sua empresa pode coletar legalmente?

A coleta e o uso de dados pessoais tornaram-se parte essencial das atividades de muitas empresas. Informações como nome, telefone, e-mail e hábitos de consumo são frequentemente utilizadas para cadastro de clientes, marketing, prestação de serviços e análise de mercado.

No entanto, desde a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), as empresas passaram a ter responsabilidades legais mais rigorosas em relação ao tratamento dessas informações.

Uma das dúvidas mais comuns no ambiente empresarial é: quais dados pessoais podem ser coletados legalmente?

A resposta depende das bases legais previstas na LGPD.


O que são dados pessoais segundo a LGPD?

A LGPD define dados pessoais como qualquer informação que permita identificar ou tornar identificável uma pessoa natural.

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • nome completo
  • CPF ou RG
  • endereço
  • e-mail
  • telefone
  • localização
  • dados de navegação na internet

Esses dados só podem ser coletados e utilizados quando existe uma base legal que justifique o tratamento.


O que são bases legais na LGPD?

As bases legais são as hipóteses previstas na lei que autorizam o tratamento de dados pessoais.

A LGPD estabelece diversas bases legais, mas algumas são mais comuns no contexto empresarial.


Consentimento do titular

O consentimento ocorre quando a pessoa autoriza expressamente o uso de seus dados pessoais.

Esse consentimento deve ser:

  • livre
  • informado
  • inequívoco

Isso significa que o titular precisa saber exatamente para qual finalidade seus dados serão utilizados.

Exemplo prático:
um cliente que aceita receber newsletter ou comunicações de marketing da empresa.


Execução de contrato

Outra base legal muito utilizada é a necessidade de tratar dados para execução de um contrato.

Quando uma pessoa compra um produto ou contrata um serviço, a empresa pode coletar e utilizar dados necessários para cumprir essa relação contratual.

Exemplos:

  • dados para entrega de produtos
  • informações para emissão de nota fiscal
  • dados bancários para pagamento

Nesses casos, não é necessário solicitar consentimento, pois o tratamento é necessário para cumprir o contrato.


Legítimo interesse

O legítimo interesse permite o uso de dados pessoais quando existe uma finalidade legítima da empresa, desde que não viole os direitos do titular.

Essa base legal exige uma análise cuidadosa, pois é necessário avaliar:

  • a finalidade do tratamento
  • a expectativa do titular
  • o impacto sobre os direitos da pessoa

Exemplo comum:
uso de dados de clientes para prevenção a fraudes ou melhoria de serviços.


Cumprimento de obrigação legal

Em determinadas situações, a empresa precisa tratar dados para cumprir obrigações previstas em lei ou regulamentos.

Exemplos:

  • envio de informações fiscais
  • armazenamento de dados para fins contábeis
  • cumprimento de obrigações trabalhistas

Nesses casos, o tratamento de dados é obrigatório por determinação legal.


Quais são os riscos da coleta indevida de dados?

A coleta ou utilização de dados pessoais sem base legal pode gerar diversos problemas jurídicos.

Entre os principais riscos estão:

  • sanções administrativas aplicadas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)
  • multas que podem chegar a até 2% do faturamento da empresa, limitadas a 50 milhões de reais por infração
  • bloqueio ou eliminação de dados
  • danos à reputação da empresa
  • ações judiciais por violação de privacidade

Por esse motivo, empresas devem ter processos claros de governança e proteção de dados.


A importância de políticas de privacidade e governança de dados

Para evitar riscos jurídicos, é fundamental que empresas adotem práticas adequadas de proteção de dados.

Entre as principais medidas estão:

  • elaboração de políticas de privacidade claras
  • mapeamento do tratamento de dados pessoais
  • controle de acesso às informações
  • treinamento de colaboradores sobre proteção de dados
  • implementação de programas de governança em privacidade

Essas medidas ajudam a garantir que a empresa esteja em conformidade com a legislação.


Conclusão

A LGPD não proíbe a coleta de dados pessoais, mas exige que o tratamento dessas informações ocorra de forma transparente, segura e fundamentada em bases legais previstas na lei.

Empresas que compreendem essas regras conseguem utilizar dados de forma estratégica, ao mesmo tempo em que reduzem riscos jurídicos e fortalecem a confiança de clientes e parceiros.

A adoção de boas práticas de proteção de dados tornou-se um elemento essencial para organizações que desejam atuar de forma responsável no ambiente digital.

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